estafeta Gerês

A Estafeta do Gerês

Foi com muitas reticências que isto aconteceu hoje. Aconteceu apenas porque tinha a minha equipa a precisar de mim e estamos a falar de uma prova por estafeta.

Esse foi o único motivo porque fui. Não iria deixar a Natália e o Nelinho na mão.

Fui sem vontade de ir e antes de sair só queria já estar a voltar.

A minha avó tinha sido internada poucas horas antes e ser o 3266 era a coisa que menos precisava.

Sem dormir, fui cumprir o que me tinha proposto. Sem estar em forma, sem estar com cabeça, sem estar lá. Fui movido pelas pernas, a trabalharem no automático e a saber que tinha onde chegar, que tinha o testemunho para passar, e que existiam outros que dependiam de mim.

Eram 7 horas quando arranquei para o Gerês, embora para mim fosse muitas mais.

Não estava alegre, não estava entusiasta, não estava motivador para os meus turbus.

Sabia que não era eu que ali estava e quando o que queria era estar sentado naquele banco de hospital.

Dei o meu possível na 1h26 em que fiz o meu segmento. Foram mais 12 minutos que o mesmo no ano transato, mas eu não estou nem 1/3 igual ao que estava no ano passado.

A minha avó preencheu a minha cabeça. Aliás desde que ela foi internada as minhas energias (que já não estavam brilhantes) ficaram lá com ela. Somos instantes num tempo demasiado longo. E ela faz-me demasiada falta.

A prova é linda, mas o segmento que fiz é puxado. Não tem tanto público como é merecedora até porque o trajeto não é propicio a isso, mas faz falta.

Foram 8 km de subida, seguidos de 2,5 km de descida e 4 km de subida (esta última subida devia ter muito público a puxar) que mata qualquer um. Se eu estivesse bem, já me teria custado, mas não tanto.

Com dificuldades respiratórias que continuo muito congestionado e uma enorme dor de burro pela deficiente respiração, fiz o que me foi possível, mesmo caminhando várias vezes.

Vim embora mal terminei e talvez não devesse ter ido. Mas equipa é assim, e quem me conhece sabe que iria cumprir.


 

Deixo um enorme abraço de parabéns a todos os turbulentos pela prova que fizeram, mas um muito especial aos meus e ao Nuno que fez (e bem) os 42,2 Km da Maratona.

Agora vou para ter com a minha avó e vou tirar um tempo para por as ideias e o sono no lugar, que isto deu cabo de mim.

 Bem hajam

 

 

 

 

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#thecure

Esta semana foi de uma intensidade incrível.

Tive o fim de semana de sonho com a minha filha e ainda a sorte de ter ido ver os The Cure ao Meo Arena.

Fui e vim. Tempo suficiente para degustar cada acórdão da guitarra do Reeves Gabrels e do Simon Gallup, cada teclar do Roger O’Donnell, cada rombar do Jason Cooper e a única e inconfundível voz do Robert Smith.

No alto dos seus 57 anos, continua igual a ele próprio. E caramba, que fantástico!

E como diz a Blitz (e bem, nesta parte) “É uma fartura bem-vinda em tempo de poupanças. Em Lisboa, como na restante digressão europeia, Robert Smith e comparsas só saíram de palco ao fim de três horas de música.”

Foi um concertão. Claro que já não estão novos! Mas quem esperava por isso?!

Claro que não editam um disco desde 2008… Mas os 13 anteriores não nos serão suficientes?

Sinceramente arranquei um pouco expectante depois de ter lido as diversas criticas do concerto em Espanha.

No “El País”, que intitula a sua prosa “A negrura na sua perfeita conservação” lê-se, em reportagem ao concerto dos ingleses na capital espanhola, que “a vantagem de os Cure não defenderem repertório novo é Robert Smith poder escolher entre dezena e meia de álbuns em função da sua santíssima vontade”, acrescentando-se que estaremos sempre dispostos a agradecer “o ótimo estado em que demonstrou conservar os seus medos, espasmos, paranoicas, estupores e demais negruras”.

No diário online “El Confidencial”, cuja parangona é “Entre a euforia e o enfado”, sublinha-se que “há duas décadas que os Cure são uma banda de auto-homenagem, ao estilo de artistas como Madonna, Rolling Stones e Paul McCartney”.

 

Ui! Mas quem pode expectar que os The Cure não sejam apenas e iguais a eles próprios? E sendo apenas isso não são já enormes?

Foi com este espírito que entrei para o Meo Arena. E após 3 horas de pura e fantástica devoção à música, ao público e ao show (show me, show me), fiquei extasiado. Foram 31 canções, num devaneio onde deu para tudo, desde fechar os olhos, sentir toda a dor possível, pasmar, e retornar a amar. Em completo e total delírio.

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Arrancar com “Open”, “All I Want”, “Push”, “Inbetween Days”, “Primary”, “Pictures of You”, “High”, “Lovesong”, “Before Three”, “A Night Like This”, “The Walk”, “Trust”, “From The Edge of the Deep”, “The Hungry Ghost”, “One Hundred Years”, “End”, “Burn”, “Play For Today”, “A Forest”, “Never Enought”, “Wrong Number”, “Hot, Hot, Hot”, “Fascination Street”, e a sequência “Friday I’m In Love”, “Just Like Heaven” e “Boys Don’t Cry” é para – perdoe-se a grosseria – partir tudo.  Daí para a frente, houve chuva de golos (e, de repente, Lisboa pareceu Dortmund): “Lullaby”, “Let’s Go To Bed”, “Close To Me” e “Why Can’t I Be You” ficam guardadas para um terceiro encore, de pura consagração. Ouviu-se ainda no meio “It Can Never Be The Same”, canção estreada na presente digressão, ainda não conheceu versão de estúdio.

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Não sei até que ponto irão fazer nova digressão, mas este meu sonho foi amplamente conquistado.

Na verdade e fazendo daqui a introspeção necessária, acho que é isso que me propus. Conquistar sonhos e viver. Infelizmente nem sempre dou a devida atenção a isso. E nem sempre dou o devido mérito a quem me ajuda a conquistar. E espero não me arrepender mais tarde.

 

Avante, hoje fiz outro!

Iniciei os treinos porque a estafeta do Geres está perto e já não corria faz imenso tempo. E tinha tantas saudades vossas, família que me adotou!


E senti-me bastante bem. Estes kms nas pernas fazem pensar como consegui estar tanto tempo sem correr. Mas outras coisas de elevada importância me fizeram parar. Apenas isso.

 

Vou curtir mais uns vídeos que guardarei para mim e obrigado a todos os que estão dai.

Encontramo-nos já a seguir

 

 

Bem Hajam

Vamos ter surpresas para o Natal! Sigam!

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Aquele fim de semana

Estive tentando a vir-vos falar sobre como correu a minha primeira corrida depois da maratona. Mas viram que correu bem e que o que aconteceu no dito dia não foi mais que um azar do caminho.

Sucede que este fim de semana não foi um fim de semana qualquer. Ainda hoje quando penso nisso me comovo com a força de tudo aquilo que senti.

Este foi o primeiro de muitos dos nossos fins de semana. De cumplicidade como deve ser qualquer relação entre o pai e a sua filha. De intimidade como entendo que temos que nos conhecer. De total abertura de coração como só tu me fazes fazer.

Este foi um fim de semana muito esperado. Uma eternidade de horas que passaram tão rápido como abrir e fechar os teus pequenos olhos.

Onde te olhei quando dormias e tudo o que de importante se passou nas nossas vidas rodopiou nos pensamentos quando tentava aterrar com o livro na mão, acalmando o coração apaixonado de pai ao olhar para ti.

Este foi um. Outros virão. Porque nada será nunca tão importante como tudo aquilo que és para mim. Porque tenho a obrigação de por ti fazer melhor de mim. Ser melhor. Ser mais feliz.

Todos os outros fim de semana serão nossos. E quando te deixo em casa da mãe no final do dia sei que vou morrer de saudades, mas sei que aprendi mais contigo do que se nunca te tivesse tido. E isso faz de mim um homem muito mais feliz.

Tudo o resto não consigo explicar. Sei apenas que esse tempo que desaparece num abrir e fechar de olhos vale a pena tudo o resto. E sei que seremos muito melhores juntos.

Vou ficar a aguardar pelo próximo fim de semana. Pelo próximo jantar. Pela próxima noite.

Sei que ficarei novamente a decorar-te cada traço, cada riso, cada palavra. 

Mas principalmente sei que o orgulho que sinto em ti é imensurável. E que farei tudo para que chegues lá longe, onde entenderes ser o teu lugar.

Porque és a minha filha, e serás sempre muito mais do que pensei um dia ter em ti e muito superior a qualquer fantástico sonho que tive sobre como serias.

Minha princesa Kika.
Bem hajam

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Ai maratona que me matas.

Dia de maratona.

Hoje, ao fim desta dura preparação e desta semana de doidos, com um resfriado, dores de garganta e tudo o demais que vem junto. Dia de maratona. Focar no importante.

Foi isso mesmo que fiz. Embora a hora de acordar fosse indecente, foi com toda a força e determinação que saltei cama fora. Era o dia que tanto ansiava.

Por incrível que vos possa parecer, até a bela da pontada que senti quando saltei, ignorei. Eita homem, qual pontada qual quê!

E assim fui até ao Instituto de Nanotecnologia e dai para o Porto. Fui com a ligeira impressão que hoje fazia mais frio que o normal. Também não seria isso que me pararia e correr com calor é muito pior.

Encontramos a @flyrunner_ e @cilinhaduarte que nos foram dar uma palavra de incentivo. Não sei porque resolvi aí lembrar-me da dita pontada na zona posterior da coxa, mas lá referi e por isso tive cuidado adicional no aquecimento.

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Eu, o João, o Carlos e o Ricardo formos para a partida. Iamos sair no Grupo A.

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Partida!

Foco e determinação porque aí estavam os últimos 4 meses, de muito esforço, de muita dedicação, de muita privação. E eu sabia que esta era a minha prova.

Saímos juntos até ao 4km, altura em que acelerei. Estava bem, estava determinado e focado.

Já tinha combinado com o Zé António fazer a prova em conjunto e lá me apanhou no 6km e fomos os dois até ao 21km. Cheguei à marca da meia maratona com 1h32. Estava mesmo bem.

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Abrandei um pouco o ritmo. O difícil é mesmo a partir daqui, pensei. O sol a bater-me na cara e aquele burburinho típico de prova… Ai caramba, devia ter tomado estas decisões faz tanto tempo.

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Senti a picada ao 28km. E já não era uma simples picada. Piorou a cada passo e ao 32km foi fatal. A zona posterior da coxa estava bloqueada.

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Fiz o que não se deve. Parei. Na realidade já não conseguia pousar a perna no chão, nem a passo.

O Tó e a Raquel estavam por ali a tirar fotografias e viram-me desesperado. Vieram com mais duas pessoas ajudar-me, porque algo não estava bem. Não sei se músculo ou tendão, a realidade é que danou-se. Não sei quem era a miúda que me acudiu, mas aquela massagem tornou a colocar-me em prova. Bem hajam.


Infelizmente foi apenas o suficiente para ser o intercalar de passo e corrida muito lenta.

Ninguém lamenta mais do que eu esta prova. Ninguém diria que o corpo não ia corresponder..

Terminei. Mas com um tempo miserável de 03:41:29.

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Sei hoje que não será isto que me irá derrubar. Mas sei também que preciso agora de tentar entender o que aconteceu e recuperar. Recuperar-me física e psicologicamente.

Ainda não foi desta que bati a minha marca. Mas tenho consciência que iria fazer um tempo fenomenal de 3h07 com o Zé . Iria. Não fiz. O corpo não deixou.

Aceito como disse que faria o que para mim veio. Aceito mas não desisto. Aceito.Mas depois de entender e de me organizar, irei voltar à carga, até porque Janeiro é já ali e terei a Meia Maratona Manuela Machado, com objetivo de bater a minha marca de 1h26.

Deixo aqui um abraço muito apertado ao Brito, ao Rui Rito, ao Carlos Alves, ao Ricardo, à Graça e a Ângela pela primeira maratona.

Um enorme aplauso ao João Machado pela magnifica prova que fez, assim como à Marinha, à Natália , ao @run.pita.run, ao Zé António e ao Pedro Câmara, pois todos bateram os seus tempos.

Ao meu amigo Antunes, que bem sabes que estamos sempre juntos. E temos que saber que o objectivo é chegar ao fim, principalmente quando se vem de lesão. És grande todos os dias.

A todos os turbulentos, vocês são o meu orgulho, obrigado Flávia, Paula, Manuela e Arnaldo pelo vosso apoio.

Um beijinho enorme para a minha querida Filó Costa pelo bravo 3º lugar feminino de pódio com 2h30 e a garantir os mínimos para o Campeonato do Mundo de Atletismo. Que grande mulher! Que exemplo!

Obrigado Ana pelo abraço sentido no final da prova.

Obrigado para todo o sempre meu pai. Se não fosse por ti, não teria hoje cortado a meta. Foste que me levou até ao fim, quando me sentia mais derrotado e mais frustrado. Tu, sempre ao meu lado.

Um abraço a quem me lê, a quem me atura e a quem de mim não se farta e que tanta força me deu nesta caminhada. Um beijo grande para a minha filha que amo e hoje lá não esteve.

Hoje saltei da cama com a mesma determinação que enfrento a vida. Mas o tempo hoje arrefeceu. E eu hoje arrefeci com ele. Por isso, amanhã será um melhor dia. E a vida continuará a ter-me do mesmo modo tão nosso.

 

Bem hajam

 

Sras e Srs, eis o que se segue

Sras e Srs, eis o que se segue

Bem vindos ao infernal mundo do tempo que falta. São 168 horas de ânsia. São 10080 minutos de raciocínio rápido para uma preparação final, de uma prova que é o desafio de todo um ano de trabalho.

É tempo a menos para saborear como deve ser. Mas é, sem qualquer dúvida, tempo em demasia para aguardar.

No ano passado estava nervoso pelo desconhecido, por não saber se conseguiria vencer o desafio que me tinha proposto.

Este ano é diferente. É saber que já la estive. Já por lá passei, mas quero fazer tudo em menos tempo.

Pensando assim é um contrassenso. Então passo o ano inteiro a pensar, a preparar, a deleitar-me com uma prova que depois quero que passe mais rápida? Não tem lógica nenhuma, agora que penso. Mas desde quando paixões tem lógica?

Foi um ano intenso. Foi um ano de transformação. Não tenho outro modo de o descrever. Foi uma intensa metamorfose que se apoderou de mim durante todo este tempo.

E que me fez procurar ser melhor. Mas que me desconcentrou. Que me deixou mais sentido.

Como um jogador experiente, mas com sede de vitória, irei fazer all-in nesta jogada final, a aguardar o Royal Straight Flush, sentado na minha mesa de poker. Alias, não é à toa que o meu grande herói é o Bond, James Bond.

Vou fazer mais do que isso. Porque todo o sangue, suor e lágrimas ficarão lá no próximo dia 6. E depois será o renascer de mim.

Estou muito mais nervoso do que no ano transato. Muito mais ansioso. Conseguem imaginar o que é batermo-nos a nós? Fazemos que todos os treinos, todos os sacrifícios, todas as jogadas pensadas e refletidas sejam demonstradas durante aquelas (espero) menos de 3h34m? Acabei de sentir um arrepio na espinha.

Porque é isso. É a minha prenda de aniversário, de Natal e de todas as outras festividades. É o saber que afinal eu sou mais hoje do que era antes. É o meu modo estranho, mas sentido, de agradecer a quem acreditou em mim. Em quem me acompanhou. A quem teve a paciência (de Jô) de ouvir as minhas inúmeras conversas sobre os ténis, as meias e as metas. E para todos os que relevaram todas as minhas indisponibilidades.

É… A vida é feita destas coisas. E dia 6, mesmo que não seja uma belíssima marca, mesmo que não consiga chegar onde sei que tenho capacidade para tal, estarei lá. Para jogar. E para aceitar o que tiver que vir.

E a todos os que não compreendem isso, digo apenas para calçarem os meus sapatos, percorrerem o meu caminho e ajuizarem depois. E mesmo assim, não conseguirão nunca entender. Porque lhes faltará sempre ser eu.

 

E cá continuo na infernal passagem do tempo. Mas de hoje a uma semana já saberei como correu.

 

E de hoje a uma semana farei tudo para ser uma pessoa feliz.

E depois desse dia, tudo será diferente. Porque avancei. Porque fiz por mim. Porque terei que encontrar qual o desafio de 2017. Só assim farei a minha história. Aquela que a poucos importa, mas é por ela que sonho todos os dias.

Por ela e por um melhor tempo no dia 6.

Que tudo corra bem. A todos aqueles que vão apostar neles próprios nesse dia. E vão conseguir vencer.

Vençam-se! Conquistem-se! Sigaaa!

 

Bem hajam

Trans Peneda-Gerês 2016 World Trail Championships

E sai uma prova internacional mesmo aqui ao lado

Hoje inicia-se o Trans Peneda-Gerês 2016 World Trail Championships.

Infelizmente para mim era impossível comparecer por inúmeras razões, nomeadamente de trabalho e de aniversário da minha filha. Digo comparecer, pois tive a felicidade de receber um convite para acompanhar o evento! Tudo por causa deste blog onde resolvo despejar apenas o que me passa pela cabeça, me atormenta a alma ou me adoça o bico.

Infelizmente porque seria algo impensável, muito além do que era capaz de imaginar possível quando comecei esta brincadeira.

Por isso, conseguem sentir o que senti quando recebi aquele convite. E a frustração que tive quando, mais que justificado, o recusei… Ai caramba!

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Aqui e publicamente, o meu muito obrigado pelo convite. Nem tenho mais palavras para retribuir.

 

Deixo-vos aqui, a todos os que vão fazer a prova, um enorme abraço na certeza que será uma prova memorável, tal como foi o convite.

Deixo aqui a certeza que qualquer um de vocês irá fazer tudo aquilo que estiver ao seu alcance e tudo aquilo que pensa que não está para chegar ao fim.

Deixo aqui a garantia que o meu verde Minho vos acolherá como poucos e que o Carlos Sá vos demonstrará porque ser português é tão especial.

Braga é a Cidade anfitriã do VI Campeonato do Mundo de Trail Running, que percorrerá amanhã os trilhos do Parque Nacional Peneda-Gerês. A prova, que se realiza pela primeira vez em solo nacional, conta com a presença de mais de dois mil participantes de 40 nacionalidades, sendo esperados cerca de 200 mil visitantes.

Além da ‘prova rainha’ de 85 km, dedicados apenas às selecções, este campeonato do mundo dá, ainda, a possibilidade ao grande público de sentir as emoções desta modalidade, com a realização de três provas abertas ao público, uma de 16 km, outra com 55 km e a terceira prova de 55 km em estafetas.
Daqui para ai, um enorme bem hajam

 

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A chuva é um ping ping […]

A chuva é um pingue pingue

constante e brincalhão

pingue pingue pingue pingue

vai pingando e cai no chão

Molha tudo tudo molha

molha tudo no jardim

e a gente quando se molha

faz atchim atchim atchim

Estou com esta música a entupir os meus ouvidos. Talvez por a ter ouvido a bater até agora no vidro da minha janela.

Já tinha saudades da calma que me transmitem estes dias de chuva quando não tenho horários a cumprir.

Da nostalgia de outros tempos quando achávamos que as poças de água eram a melhor brincadeira do mundo (e éramos deparados com a arrelia das mães quando chegávamos a casa ensopados).

Ainda hoje não posso deixar de rasgar um sorriso pelas tentativas impossíveis de passar no meio dos pingos da chuva, qual homem invisível.

Sei que tem um novo sabor, aquele que sinto quando corro. Quando ela teima a escorrer-me pela cara, brava por lhe interromper a nostálgica queda quando a trespasso na minha corrida.

E quando no final dessas etapas, com mais alguns kms e totalmente ensopado, mas com a feliz sensação que voltei a ser miúdo outra vez, e que a minha mãe me dirá novamente que “ainda ficas de cama!” acrescentando agora um “quanto mais velho pior!”. Hoje não a senti desse modo. Ouvia-a a bater na janela.

Ainda não chegou o tempo de ouvir o vento a uivar. De gelar só por colocar o nariz fora da porta.

Agora é apenas o tempo de curtir aquelas curtas mas potentes quedas de água, de ver o vermelho e o castanho tomarem conta das árvores e de começar a andar mais agasalhado e sempre de guarda-chuva atras.

É o tempo de parar e ve-la cair como fazia quando era miúdo, com o nariz colado na janela (e ficava a achar que no minuto seguinte nevava).

É de, sem qualquer dúvida, admirar a beleza que ela tem quando se desfaz nas pedras da calçada. De lhe saborear a delicadeza com que me afaga o rosto, irritada por a ter interrompido.

É ter tempo para estes pequenos tempos da vida, cantarolando as minhas músicas de infância no meio da minha corrida, como espero fazer amanhã, já que é esta a previsão que tenho para o treino.

Agora só a oiço daqui.

E esperar que muitos miúdos estejam a esta hora a colar o nariz na janela na vã esperança que comece a nevar. E assim lhe ensinem a Balada da neve de Augusto Gil, transmitindo-lhes tudo o que outrora apreenderam com os seus pais.

Agora, vou ficar estendido no sofá onde estou, a ouvir a chuva a bater na janela, quem sabe a sonhar que a seguir neva.

Sei que hoje a Sandrine a escuta de uma outra forma. Sentindo-lhe mais a frieza. Por isso sopro-lhe daqui um abraço na certeza que tudo ficará melhor. Amanhã será melhor.

Bem hajam

Imaginem lá o que vos tenho para dizer? Lojaaaa!

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Irei defrontar Golias

Quem nunca ouviu esta história?

Em 1200 aC a 1000 aC, Golias, um homem de grande estatura (seriam 6 covados e 1 palmo, o equivalente a 2,92m) da cidade de Gate e soldado campeão dos filisteus, defrontou Davi.

Só o peso da cota de malha de bronze que Golias usava devia corresponder ao peso de Davi, rapaz na altura do confronto.

Gritando para que Israel apresentasse um homem capaz de o defrontar, Golias queria assim determinar qual seria o exército servo do outro: se os filisteus pelos quais lutava, se Israel.

Este desafio durou 40 dias, mas Israel não possuía soldado com coragem suficiente para combater Golias.

Até que Davi ficou indignado com o que estava a acontecer e aceitou o desafio do filisteu.

Apenas com uma funda e algumas pedras lisas que tinha apanhado num rio próximo, apresentou-se para defrontar o guerreiro.

Ao vê-lo, Golias riu-se dele, invocando os seus deuses do mal contra tamanho pequeno.

“Tu vens a mim com espada, e com lança, e com dardo, mas eu chego a ti com o nome do Senhor dos exércitos, o Deus das fileiras combatentes de Israel, de quem escarneceste.”

E pegando numa pedra e na sua funda, Davi atirou-a a Golias, penetrando-lhe a testa. Após este cair por terra, Davi agarrou na espada de Golias e terminou-lhe com a vida.

O resto faz parte da história.

 

Será assim daqui a 20 dias. Defrontarei, como o Davi fez, o meu Golias. E terei que mostrar o quanto eu venero aquela que será sempre a minha Maratona. Talvez não seja fácil entender o impacto que aquele dia teve sobre mim. Talvez vos seja ainda mais difícil compreender esta dualidade de pretender guardar para sempre a minha vitória e derrota-la todos os dias.

Também o é para mim. Creio que seria mais fácil manter essa como a marca e avançar para outra meta qualquer. Mas isso não seria eu. E ficaria sempre na dúvida se teria conseguido. E coisa que não posso ter mais são dúvidas. Muito menos deste tipo.

Então e com a força do sangue que me corre nas veias, farei tudo para que consiga chegar onde almejo.

Cada um tem os seus medos. Os seus gigantes. Mas como Davi, depende de cada um de nós vencer-lhes. Determinar-lhes o destino. Demonstrar-nos que afinal nunca será o medo maior que nós.

Porque não é o tamanho, não é a capacidade, não é robustez que contam. É a determinação com que abraço os desafios. É a capacidade de superação. Sou eu. E independente de como corra, sei que irei degustar cada centímetro daqui a 20 dias, como a enorme prova de superação (que é para mim).

E lá estarei. E farei tudo o que de melhor sei e de tudo o resto que conseguir para chegar ao meu objetivo. E levarei a minha funda e as pedras lisas que apanharei no meu rio.

 

Do mesmo modo fará a minha amiga Celeste. A demonstrar que a vida é apenas o somar de memórias. E essas são nossas e ninguém consegue fazê-las desaparecer. E estaremos sempre aqui.

Foi para isto que me deu depois do meu último treino longo de ontem. Um dia triste, como o tempo que esteve.

Bem hajam

 

Já falaram da loja hoje? Então? Vamos lá!

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Hoje, mais do que ontem

Existem dias assim. Dias em que paramos para pensar e ponderar as escolhas que fizemos na vida. Dias de verificação. De analisar se as metas que traçamos foram ou não realizadas pelas decisões que tomamos.

Hoje foi um desses dias. Acabam sempre por ser dias de frustração, por muito que não sejam assim ponderados.

Dias de orgulho quando vemos que atingimos mais do que aquilo que nos propusemos.

Dias dúbios. Como tudo o que mexe.

Vocês seguem e conhecem muito do que faço.

E claro que ponderei se essas metas foram atingidas. Se as minhas corridas foram concretizadas dentro dos parâmetros que tinha estipulado. E quais não foram. E porque motivo não o foram. Ponderei também esta loucura do 3e34. E de tudo o que envolve. E é imenso o que envolve.

Mas claro que sou mais do que isso. Mas o que sou mais, é meu e não exposto, como compreendem. Cada um de nós tem direito ao seu canto só dele. Aos seus 5 minutos de paz do mundo bastante turbulento.

E nessas houve coisas que me agradaram e outras nem tanto. Amigos recuperados, amigos novos, risos perdidos, sonhos pensados, vida às vezes menos vivida. Conheço cada curva que vou dando na vida. E chego ao final desta ponderação a pensar que devia ter sido um melhor ano. Mas que foi o conseguido com todas as marés.

É bom fazer estas ponderações. Sei a quem devo um pedido de desculpa. Sei a quem devo um riso. A quem devo um abraço. A quem devo um café. A quem devo um enorme silêncio. A quem devo um adeus. A quem devo um obrigado. A quem devo… E a quem não devo nada. E principalmente sei que não me devem a mim, porque não irei expectar nos outros. Sei por mim.

Hoje fiz todas essas ponderações. E por isso estou mais bi-lunar.

Mas fiz novas projeções. Porque tenho que pelo menos ter uma luz para onde ir. E sei hoje, mais do que ontem, o que vou fazer. E que o vou fazer comigo. E será, para mim, excecional. Porque é o que de melhor conseguirei dar de mim. Com quem é meu. Em todos os mais recônditos lugares, nas mais diversas estradas na minha vida.

Como oiço dizer, “o universo tem projetos muito mais fantásticos para ti do que aqueles que tu especulas”. Cá fico à espera.

Para já, sei que tenho um segredar à minha espera, que irei transformar num “és a melhor coisa que me aconteceu na vida, minha filha. Amo-te minha princesa”. E assim o é todos os dias da minha vida.

 

Bem hajam

 

Estou a fechar novos itens para a nova estação… Ideias? Vão ver!

Live or let live

Ouvi uma música assim

Já não a ouvia faz tanto tempo… Mas hoje tocou e não é que é?

Existem músicas, trechos de livros, comportamentos de pessoas que sempre vimos e sempre retratamos de determinada maneira. E eis senão quando, por algum motivo que me escapa, os vemos de outro modo. Com outros olhos. Ouvimos com outros olhos. Foi o caso.

Depois de uma corrida longa, depois de 31 kms nas pernas, depois de muita coisa a tricotar a minha cabeça, depois de tentar entender tantas outras mais, o raio da música tocou e eu ouvi-a de outra maneira. Ou subitamente aquilo fez todo o sentido do mundo.

Vive e deixa viver.

 

Vivemos diariamente em rotinas e em coisas que entendemos ser corretas. A achar sei lá bem o quê sobre este corre corre desnecessário (chegamos ao final e não nos levou a lado nenhum e as pernas sofreram horrores). E estar com quem devíamos ou fazer os que nos enche a alma, diz que ficou por fazer.

Pior, olhamos para o lado e vemos tantos iguais a nós, nas mesmas andanças, mas a fazerem equilibrismo de outras coisas, de outros sonhos, de outras metas. Ao fim e ao cabo… a mudarem os gadgets mas a essência ser a mesma (já viram imagens do metro na hora de ponta? Assustador).

Depois ainda nos deparamos com outros que, talvez por morarem numa outra realidade, tem comportamentos que retratam bem a sociedade em que vivemos… e onde a vida da tia, do primo, do vizinho do R/C que (dizem) se meteu com a funcionária da padaria (mas que na realidade o Sr apenas lhe diz bom dia, pois a sua mãezinha assim o ensinou) virou melhor que ler as noticias, já que o acrescento de frases consegue ser feito na mesma medida que se passa a conversa ao outro. E onde opinar sobre aquilo que alguém fez, com um sentimento de inveja total apenas os levam um pouco mais aquém do que era suposto caso se tivessem congratulado com os seus feitos (e pensarem que ótimo ter conseguido, agora serei eu).

Live and let live. Esta ideia que cada um deve viver a sua vida do modo que assim entenda não importa o que pensem sobre isso e sobre ele.

Ensinamentos como aqueles que me passaram a mim,

ser agradecido – o amor não é o que se diz mas o que se faz – o que passou pertence ao passado, mas guarda a lição – se amas algo, não desistas – é válido ter receio mas nunca que ele se apodere de ti – vive o momento, mas olha em frente que é para lá que a vida se dirige – não fales sobre a vida dos outros como não queres que falem de ti – orgulha-te do que és e dos feitos de quem está ao teu lado – se errares assume os teus erros com a mesma frontalidade que assumirias um feito

Parecem de outra era e fazem parte do meu legado.

É… Realmente agora fiquei sem saber muito bem qual dos refrões da música tem mais sentido.

Se vive e deixa viver (live and let live). Se vive e deixa morrer (live and let die).

É isto. Diariamente.

Eu vou tornar a ouvir… E vocês já reconheceram a música?

 

Bem hajam

 

(Só como nota, porque gosto que saibam, o live or let live foi uma expressão utilizada na Primeira Grande Guerra Mundial, por exemplo na Trégua de Natal de 1914, havendo deliberadamente uma abstenção ao uso da violência. Era algo negociado entre os soldados das trincheiras onde existia uma recusa em utilização da violência sobre os soldados contrários que se encontravam expostos, retratando uma tendência de não agressão. Ela está patente como uma prática amplamente conhecida para a época, espelhada em diários, cartas e testemunhos de veteranos de guerra.)

 

Já foram espreitar esta semana? Estão muito quiet@s! Mexam-se!